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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

ÁGUAS ABSOLUTAS - PERFORMANCE

PERPENDICULAR MACEIÓ/BELO HORIZONTE 2011

RELEASE

PERFORMANCE: ÁGUAS ABSOLUTAS

Esta performance, denominada Águas Absolutas, ironiza de tal maneira as estruturas de saneamento básico “encontradas” na Praia da Avenida – Maceió/Al. As regras estabelecidas pela artista/performer nessa experimentação passa pela forma e antes de tudo pela “tentativa” de limpeza dessa água absolutamente contaminada. E logo após, a obra transita pela natureza e engajamento crítico da atual situação da mesma.
Decantação. O início dessa performance surgiu da ideia de purificação, limpeza e harmonização de espaços. Pensando nessa possibilidade, busquei me aproximar de recursos que levasse a concretização da ideia original sem passar pela significação religiosa dessas palavras, e sim pelo processo fundamentado nas diferenças existentes entre as densidades dos componentes da mistura, e na espera pela sua decantação.
Cientificamente o termo Decantação se explica: Separa-se um líquido do outro através de um bastão de vidro, vertendo o líquido lentamente com a ajuda do bastão, até a substância menos densa passar para o outro recipiente. Este método evita que o líquido escorra para fora do recipiente, passando perfeitamente pelo bastão, e muito utilizado em separações de misturas sólido-líquido, como areia e água.
Sendo assim, nessa ação a “Água Absoluta” deve passar por uma separação de misturas, resíduos contidos em sua poluição com alguns métodos compostos por produtos químicos que serão utilizados. Tais como: sabão em pó, sabão em pedra, água sanitária, desinfetante, detergente, amaciante e soda cáustica.
Buscando uma quantidade da água da Praia da Avenida com um balde, a performer coloca essa mesma água em outro balde passando por um processo de coa mento onde a mesma deve passar por todo processo de “limpeza” e “purificação” até restar numa bacia com alguns bonecos contidos na mesma junto com uma quantidade de soda cáustica para que esses elementos, simbolicamente passem por uma decomposição Absoluta. Findando a ação performática com um enterro dessa água.

Intérprete Criadora e performer: Mary Vaz.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

No DEODORO essa semana!

Confira a programação dos 101 anos do Teatro Deodoro

Com o objetivo de comemorar os 101 anos do Teatro Deodoro comemorado em 15 de novembro, a Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (DITEAL) e o Governo do Estado, anunciaram a programação festiva, com apresentações de dança, música e teatro. Informações: (82) 3315-5665
PROGRAMAÇÃO
Dia 13 de novembro
Show "Brasil, grande terreiro" no Teatro de Arena Sérgio Cardoso. 19h. Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
A banda é composta por: Silvia Marinho; Chau do Pife; Pedro Marinho; Emmanuel Miranda; Felipe Roseno; Participações especiais no show – Marcelo Marques (vocalista da banda Gato Zarolho) e Felipe Roseno (percussionista de Ney Matogrosso)
Informações: Whytna Cavalcante: (82) 8842-9012
Dia 14 de novembro
Workshop de percussão, com Felipe Rosendo e participação do violonista e guitarrista Michael Ruzitschka no Teatro de Arena Sérgio Cardoso. Inscrições na bilheteria do Teatro: R$ 12,00 + 1kg de alimento não-perecível (que será doado a comunidades quilombolas de Alagoas). Informações: Whytna Cavalcante - (82) 8842-9012
Contemporânea no Deodoro” - Tortura – Performer Pam Guimarães. 19h00 – Pátio Externo (entre o Foyer e o Teatro Deodoro) - Anônimo – Performer Mary Vaz. 19h30 – Porão do Teatro Deodoro - Esqueci meu Coração – Coletivo Independente de Performance 20h00 – Pátio Externo (Palco ao lado do Teatro Deodoro) - Rótulo – Performer Charlene Sadd 21h00 – Palco do Teatro Deodoro. Entrada franca limitado a 60 pessoas
Dia 15 de novembro
Show: “Vent Vert” com Millane Hora no Teatro Deodoro – 20h00. Ingressos: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia) www.millanehora.com.br Contato: Carla Tavares – 9903.5501
Dia 16 de novembro
FEMUFAL no Teatro Deodoro. Parceria da DITEAL (101 anos) e UFAL (50 anos). 19h30 - 04 músicas para o lançamento do CD do 2º FEMUFAL. 09 músicas participantes do 3º FEMUFAL. 20h30 – Apresentação da Orquestra UFAL- Concerto 50 anos UFAL. Entrada franca com convites distribuídos pela UFAL e na bilheteria do Teatro Deodoro.
Dia 17 de novembro
FEMUFAL no Teatro Deodoro. Parceria da DITEAL (101 anos) e UFAL (50 anos). 19h30 - Apresentação de 09 músicas do 3º FEMUFAL. 20h30 - Show de encerramento – Oswaldo Montenegro. Entrada franca com convites distribuídos pela UFAL e na bilheteria do Teatro Deodoro.
Dias 18 de novembro
Devassas – O que as Mulheres Gostariam que Fizessem com Elas na Cama” com Ivana Iza no Teatro Deodoro. 20h. Ingressos: R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia)
Dia 19 de novembro
Devassas – O que as Mulheres Gostariam que Fizessem com Elas na Cama” com Ivana Iza no Teatro Deodoro. 20h. Ingressos: R$ 20,00 (inteira) / R$ 10,00 (meia)
Dia: 20 de novembro
Marina” com a Cia. da Meia Noite no Teatro Deodoro (apresentação em homenagem aos de 10 anos de fundação da Cia). 17h. Ingressos: promoção R$ 4,00 ou 1 Kg de alimento não perecível

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

ANÔNIMO (A) sendo configurado!

ANÔNIMO (A)

 Performer: Mary Vaz

Tal performance se desdobra no intuito de promover instigações sobre um corpo impregnado de suas raízes enquanto origem e formação de identidade. Elementos, imagens e sonoridades se unem para estabelecer um encontro poético dessa “anônima” com o público e ao mesmo tempo um reencontro com seu ambiente de origem.



A identidade pessoal define-se, antes de tudo, em referência aos ancestrais e aos pais; o indivíduo de uma tribo designa-se primeiro como “filho de” e depois por um nome que pode ser de um parente, de um patriarca, de um profeta, de um santo, do qual não somos o único titular. Mas amplamente, definimo-nos em referência à nossa cidade, nosso estado, nossa nação, nossa religião. Nossa identidade não se fixa afastando-se, mas, ao contrário, incluindo os seus ascendentes e as suas filiações. (Edgar Morin – A humanidade da humanidade- pág.: 86, 87. )



Lançando-se numa busca de um corpo ascendente e ancestral no sentido de voltar ao campo, ao mato, as folhas, aos bois, aos animais, ao “feto”, a obra investiga a aceitação da própria imagem e semelhança. Exigindo desse corpo uma intimidade direta com a terra, com os animais. Retrocedendo o mesmo a vivências impressas ao longo do tempo. E ao mesmo tempo se interrogando quanto a uma imagem, a um estilo de vida imposto pela cidade grande.  

Segundo Edgar Morrin,

Cabe decompor a concepção monista, plena, substancial do sujeito individual e recompô-la na complexidade da sua unidade. O Eu une a heterogeneidade dos Egos.

No fervilhar, no múltiplo, no diverso, no anônimo, o Eu emerge sem parar. Unificador de uma multiplicidade formidável e de uma totalidade multidimensional. (pág.94)

Com isso a consciência de si próprio está intrinsecamente dependente do elemento da memória. Acreditando assim que a memória destaca-se porque só ela pode permitir o reconhecimento contínuo de uma pessoa que se identifica com ações passadas e que pode ser considerada responsável pelas ações que praticou. Esta dependência da consciência em relação à memória levanta-se inúmeras dificuldades porque não temos uma recordação total, absoluta de todas as nossas experiências vividas. Aliás, muitas destas experiências nem sequer nos lembramos, ou simplesmente esquecemo-las.

            O desejo de acionar as lembranças que constitui minha identidade toma-me a alma. Fazendo-me compreender o processo criativo performático Anônimo (A) como uma forma intrínseca de vivenciar e agradecer ao lugar de onde vim.






sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Projeto Anticorpo "5198" - Carol Lucena - Obra: Mary Vaz


PROJETO ANTICORPO 01

“5198”

Coordenação: Carol Lucena







Meus afetos aos nossos “eus”



Nenhuma ciência objetiva, nenhuma psicologia, nenhuma filosofia tampouco, jamais abordou o reino do subjetivo e, por isso, não o descobriu realmente.

HUSSERL

Um brinde aos nossos afetos!

É assim que transbordo minhas palavras a esse projeto. Com tamanho apego a esses “afetos” é que pretendo iniciar o cair das minhas ações dirigidas as profissionais do sexo, na ideia de fazer desse apego um subjetivo, e também sugestivo, pré-retrato.

Penso que tal retrato se configura da forma que interpreto o descobrir dos fatos/tema. Propondo uma autonomia de um trabalho intimamente e inseparavelmente ligado a uma questão de vida. Entendendo assim, que o mesmo se tratava ou de “uma pintura, ou colagem, ou uma escultura, ou um desenho a partir de uma peça de roupa íntima feminina recebida pelo correio”. Porém, não me contive em deter-me nesses planos, buscando uma saudável desobediência.

A partir de inúmeras inquietações com o conteúdo envolvendo o projeto me submeti a experiências das quais me sinto ligada mais afetivamente: a performance/vídeo performance. E, vendo por essa ótica da lógica lancei a proposta para um caminho da subjetividade ultrarrealista, na intenção de que possamos observar a questão do projeto anticorpo “5198” em sua amplitude merecedora. Observando, entretanto a preocupação implícita nesse trabalho com o meio social, onde esse fator mais que real aos nossos cotidianos se configura cada vez mais com uma potência silenciosa, desprotegida e tratada com uma violência que me aparece incubada, surreal, parecendo não existir e abandonada a uma causa qualquer. Como se esse assunto fosse algo sempre para o “outro” e não para “nós”.

Estabelecendo uma relação entre “eu” e os “eus” que posso enxergar em cada profissional do sexo. Tentando compreender o que acontece nesses que chamo de “eus” (prostitutas) quando as mesmas decidem traçar esse caminho em suas vidas. Sei que essa compreensão é rasa e ao mesmo tempo profunda para alguém que nunca traçou esse caminho, no caso “eu”. Mas, entendo que para chegar até uma compreensão, mesmo que rasa, dessas profissionais devo me observar profundamente e me afetar com

tanta intensidade para chegar a sentir o que cada uma sentiria em seu intimo. Suposição. Jamais entenderia merecidamente e realmente o que sugeri nesse “eu” que proponho.



Nenhum outro indivíduo pode dizer Eu em meu lugar, mas todos podem dizer Eu individualmente. Como cada indivíduo vive e experimenta-se como sujeito, essa unidade singular é a coisa humana mais universalmente partilhada. (...) (Edgar Morin – método 5- A humanidade da humanidade. P.:75).



A ideia da aproximação, ou melhor, desse pré-retrato que me aconteceu é algo que chega e deita em meu colo buscando uma conversa, um carinho e uma proteção. Assim, me chega também à ideia dessa profissional ter tido uma infância perdida por questões encobertas, subjetivas e implícitas que não há de vir publicamente e nem ao menos aos olhos do cotidiano preconceituoso que as envolve.

Vejo essa profissional com características físicas, morena, magra, olhos castanhos claros, cabelo descuidado e com um corpo ainda com traços de uma adolescente. Com personalidade firmada fortemente numa crença de sobrevivência e para isso tenha que fazer o que for preciso para se manter viva. Porém, com uma carga de inocência e ingenuidade que se transfigura no âmago do seu leito. A boneca, a sutileza, a timidez e entre outros símbolos expostos no vídeo performance são características do meu imagético. A faca em si coloca-se como sendo um ponto chave para intervir na minha ideia central do estereótipo dessa profissional do sexo, a violência externa sofrida por ela e ao mesmo tempo, ainda em processo de descoberta, uma inocência e inconsciência dessa violência consigo mesma. A faca é um símbolo chave dentro desse processo, podendo ser contínuo e uma forma de descoberta de outras ações que por ventura possa vir acontecer.

É a qualidade do sujeito que torna cada gênero único, não as suas características particulares. Assim, a diferenciação decisiva, em relação a outro, não está, antes de tudo, na singularidade genética, anatômica, psicológica, afetiva, mas na ocupação do espaço egocêntrico por um Eu que unifica, integra, absorve e centraliza cerebral e afetivamente as experiências de uma vida. (Edgar Morrin – método 5- A humanidade da humanidade. P.:75).








Firmando assim, uma relação ambivalente, diante de uma vida desconhecida, transitando entre a simpatia e o medo.




Mary Vaz ------------------------ 13/09/2011